As amígdalas e a adenoide fazem parte das defesas do organismo, mas, quando vivem inflamadas ou muito aumentadas, passam a atrapalhar mais do que ajudam. Amígdalas e adenoide aumentadas são uma das principais causas de ronco, respiração pela boca e infecções de garganta de repetição, especialmente nas crianças. Entender quando isso exige apenas acompanhamento e quando a cirurgia é indicada faz toda a diferença para a saúde e o sono da criança.
O que são as amígdalas e a adenoide
As amígdalas (ou tonsilas) são duas estruturas de tecido de defesa localizadas no fundo da garganta, uma de cada lado, que ficam visíveis quando abrimos bem a boca. A adenoide, muitas vezes chamada popularmente de "carne esponjosa", é um tecido semelhante que fica mais acima, atrás do nariz, e não pode ser vista a olho nu. Ambas fazem parte do sistema de defesa e ajudam a reconhecer micro-organismos que entram pela boca e pelo nariz, principalmente nos primeiros anos de vida.
Com o tempo, esse papel de defesa vai sendo assumido por outras partes do corpo. O problema surge quando as amígdalas e a adenoide ficam grandes demais (o que chamamos de hipertrofia) ou passam a inflamar com muita frequência. Nesses casos, em vez de proteger, elas começam a obstruir a passagem de ar e a favorecer infecções repetidas.
Principais sintomas
Os sinais dependem de a estrutura estar aumentada, infectada ou as duas coisas ao mesmo tempo. Entre as queixas mais comuns estão:
- Ronco e respiração barulhenta durante o sono;
- Respiração pela boca, principalmente à noite, com boca sempre aberta;
- Sono agitado, com pausas ou engasgos, e sensação de cansaço no dia seguinte;
- Dores de garganta frequentes, com febre e dificuldade para engolir;
- Mau hálito e voz "anasalada", como se a criança estivesse constantemente resfriada;
- Infecções de ouvido de repetição, já que a adenoide aumentada pode atrapalhar a ventilação do ouvido.
Nas crianças, a hipertrofia da adenoide é uma causa importante de otite e de nariz sempre entupido. Já as amígdalas muito grandes contribuem para o ronco e podem participar de quadros de apneia do sono na infância.
Amigdalite de repetição e hipertrofia
É importante separar dois problemas que muitas vezes andam juntos. A amigdalite de repetição é caracterizada por episódios frequentes de infecção das amígdalas, com dor de garganta intensa, febre, placas de pus e mal-estar, que se repetem várias vezes ao ano. Já a hipertrofia se refere ao tamanho aumentado das amígdalas e da adenoide, que atrapalha a respiração e o sono mesmo quando não há infecção.
Uma criança pode ter apenas amigdalites repetidas, apenas hipertrofia com ronco, ou os dois quadros ao mesmo tempo. Essa distinção é fundamental, porque orienta desde o acompanhamento até a decisão sobre operar.
Respiração pela boca e o sono da criança
Quando a adenoide e as amígdalas obstruem a passagem de ar, a criança passa a respirar pela boca para compensar. Com o tempo, a respiração bucal persistente pode influenciar o crescimento da face e o posicionamento dos dentes, além de deixar o sono mais superficial e agitado.
O ponto que mais preocupa é a possível ligação com a apneia obstrutiva do sono, quando ocorrem pausas na respiração durante a noite. Uma criança que ronca alto todas as noites, dorme de boca aberta, tem sono inquieto e acorda cansada merece avaliação. Alergias respiratórias, como a rinite alérgica, costumam piorar a obstrução e precisam ser controladas em conjunto.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, a frequência das infecções e a qualidade do sono, seguida do exame da garganta, do nariz e dos ouvidos. As amígdalas podem ser examinadas diretamente pela boca, enquanto a adenoide, por ficar escondida atrás do nariz, costuma ser avaliada por endoscopia nasal (um exame com uma câmera fina e flexível) ou por radiografia, conforme o caso.
Quando há suspeita de apneia do sono, o otorrino pode solicitar a polissonografia, exame que registra o sono e a respiração durante a noite. Essa avaliação ajuda a medir o impacto real da obstrução e a decidir a melhor conduta.
Nem toda amígdala grande precisa de cirurgia, e nem toda infecção de garganta significa que é hora de operar. A decisão é sempre individualizada, feita pelo otorrino a partir dos sintomas, do exame e do impacto na saúde e no sono da criança.
Tratamento: do acompanhamento à cirurgia
Muitos casos são conduzidos de forma clínica, sobretudo quando os sintomas são leves ou tendem a melhorar com o crescimento. Nessa etapa, o tratamento inclui o controle das alergias respiratórias, os cuidados com infecções e o acompanhamento regular do sono e do desenvolvimento da criança. As infecções agudas, quando bacterianas, podem exigir antibióticos indicados pelo médico.
A cirurgia é considerada em situações específicas, entre elas:
- Amigdalites de repetição frequentes ao longo do ano, que atrapalham a rotina e faltas à escola;
- Obstrução importante da respiração, com ronco intenso, respiração pela boca e sinais de apneia do sono;
- Infecções de ouvido de repetição ou alterações no crescimento da face relacionadas à obstrução;
- Complicações das infecções ou casos que não respondem ao tratamento clínico.
A retirada das amígdalas é chamada de amigdalectomia, e a da adenoide, de adenoidectomia. Elas podem ser feitas juntas ou separadamente, dependendo do que está causando o problema. São procedimentos comuns e bem estabelecidos, mas a indicação deve ser sempre individualizada e discutida caso a caso com o otorrinolaringologista, pesando os benefícios e as particularidades de cada paciente. Não existe uma regra única que sirva para todas as crianças.
Quando procurar o otorrino
Procure avaliação especializada quando a criança (ou o adulto) apresentar dores de garganta frequentes, ronco todas as noites, respiração pela boca, sono agitado ou sensação de cansaço ao acordar. Sinais de pausas na respiração durante o sono merecem atenção especial. O otorrino é o profissional indicado para examinar as amígdalas e a adenoide, esclarecer se o quadro é de infecção, hipertrofia ou ambos e definir, com segurança, se o melhor caminho é o acompanhamento ou a cirurgia.